História do Shiba

Há, hoje, mais de 400 raças caninas reconhecidas pela Federação Cinológica Internacional, órgão que regula a criação de cães de raça pura internacionalmente. Cada uma delas tem um propósito, uma função, e um padrão, que determina como devem ser os exemplares dessa raça.

Um exemplar sem raça definida (SRD) pode ser um excelente companheiro, mas lhe faltará a previsibilidade de conformação, de predicados e de temperamento. Um cão, normalmente, é um companheiro para mais de uma década, é melhor saber o que esperar dele.

Em 1982, um grupo de Pesquisadores da Universidade de Nagoya e da Universidade Gifu realizaram análise genética de cães japoneses e descobriu que eles são distintos dos cães ocidentais. Alguns tiveram um grande semelhança genética com os cães Jindo do sul Ilha da Coréia.

Avanços recentes no estudo do DNA canino fornecem evidência que os cães domésticos são descendentes do lobo cinza asiático. Algumas raças, incluindo o Shiba são classificadas como primitivas, pois possuem poucas alterações do lobo original. Mais recentemente, em pesquisa com 85 raças, mostrou que o Shiba possui o DNA mais próximo do lobo do que todas as demais, salvo o Shar Pei.

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Arqueologia e Antropologia:

É um fato arqueológico que os ancestrais humanos emigraram por vastas áreas da Terra. Os ancestrais dos japoneses também. Parece que emigraram da África para Ásia Continental e da Sibéria e China ao Japão.

As primeiras evidências arqueológicas de humanos no Japão datam de mais de 500.000 anos. No entanto, são as evidências do Homo sapiens sapiens, de 40.000 anos atrás, encontrados em muitas

partes do Japão que começam a ter alguma relevância para os interessados em Shiba. Estes últimos podem ser os ancestrais do povo Joumon com quem são vistas as evidências fósseis dos primeiros cães no Japão.

Tais fósseis variam um pouco em tamanho. Aparentemente, os primeiros cães Jomon eram pequenos cerca de 36 cm a 41 cm. Os encontrados mais tarde são maiores: 46cm a 50cm. Em 1998, Dr. Nishimoto restaurou um fóssil de cachorro Joumon de 3.000 anos de idade e descobriu que ele tinha 40 cm de altura e características semelhantes aos Shibas atuais.

Pouco antes da virada do primeiro milênio, estima-se que algumas centenas de milhares de pessoas da península coreana chegou ao sul do Japão ao longo de algumas centenas de anos. Trouxeram com eles a tecnologia de cultivo de arroz e alguns cães.

História Escrita

Os primeiros registros de cães pequenos similares aos Shibas aparecem nos livros escritos durante o período Heian, entre 800 e 1.200 DC. Os samurais dominavam no tempo do Shogunato Kamakura, de 1.190 a 1.603, e utilizavam cães e falcões para caçar, o que era um esporte bastante popular.

Durante o período Edo, muitos livros foram escritos sobre cães de caça. Os “taka inu”, cães falcões, utilizados para caçar pequenos animais e pássaros.

Na figura ao lado está a estátua de Saigo Takamori, em Tóquio, daquele que foi considerado, oficialmente, o último samurai. Note o cão ao seu lado.

As famílias dos Samurais, cujo dever era manter bons cães de caça para os Shoguns escreveram livros. Eles eram guardados em estrita confidencialidade dentro da família e nunca publicados.

Tais livros eram como o padrão dos cães de caça e mencionavam características físicas, como tamanho do corpo, pelagem, cauda, cabeça, etc. Um livro escrito por um Yoshida Taemon em 1620 mencionava que “sashi-o”, cauda em foice em cães pequenos, pelo curto e focinho robusto caracterizavam os cães mais fáceis de treinar. Nesses livros também se encontrava indicações de reprodução planejada.

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Em 1687, o 5º Shogunato Tsunayoshi emitiu um decreto para proteger os animais, especialmente cães, de qualquer tipo de abuso. Ele foi fanaticamente reforçado durante o seu reinado, a ponto de atribuir pena capital a qualquer um que matasse cães. 

Após a queda do Shogunato Tokugawa em 1866, uma nova era iniciou no Japão, com grande ênfase em modernização vinda do oeste, incluindo cães importados da Europa e outras partes do mundo. Foi a partir daí, durante a Restauração Meiji, que os cães ocidentais foram importados em grande número e em um período de 50 anos os cruzamentos de cães nativos com os importados ocorreram em tal amplitude que se tornou impossível encontrar cães nativos nas cidades por volta de 1920.

Historia do Shiba

A História do Shiba Moderno:

Em 5 de maio de 1928, o Dr. Hirokichi Saito e seu grupo se reuniram para estabelecer a Nihonken Hozonkai, (Nippo), Associação para Preservação do Cão Japonês.

Tudo começou quando o Dr. Saito não conseguiu encontrar um único cão nativo após uma longa pesquisa e perceber que os cães japoneses estavam em perigo de extinção. Naquela época, os cães japoneses de raça pura eram inexistente nas cidades.

Os primeiros pioneiros da Nippo viajaram por toda parte em busca de cães nativos nas áreas montanhosas do Japão. Sua intenção era preservar os cães japoneses tão fiéis à forma original quanto possível, procurando aqueles cães de caça primitivos que ainda existiam em áreas remotas e estabelecer um programa de reprodução planejado.

Os círculos acadêmicos apoiaram o movimento realizando novas pesquisas históricas, zoológicas, arqueológicas e perspectivas antropológicas. O primeiro presidente da Nippo foi o Dr. Kaburagi, professor da Universidade de Tóquio. Em 1932, a Nippo publicou seu primeiro boletim informativo e começou a registrar cães japoneses. A Nippo foi

reconhecida pelo Ministério da Educação em 1937 e recebeu o apoio do Governo japonês por preservar a herança japonesa e cultura. Desde então, está ativa como o mais antigo e o mais proeminente clube cinológico no Japão.

Em 6 de novembro de 1932, a primeira Exposição da Nippo foi realizado em Ginza, a área central de Tóquio. De oitenta e um cães, apenas dez cães foram avaliados como tendo qualidade e receberam o "Prêmio de Elogio". Desses quatro eram Akitas, dois eram Hokkaidos, dois eram Kishus, um era um cachorro de tamanho médio da área de Shinshu e outro era Shiba. O Shiba era um macho sésamo vermelho chamado "Tako”. Tako foi o primeiro Shiba a ser registrado pela Nippo e desde então a Nippo mantém registro de mais de um milhão e meio de Shibas.

Em 15 de setembro de 1934, após extensas pesquisas e discussões, "Padrão do Cão Japonês" foi elaborado pelo Comitê de Padrões liderado pelo grupo acadêmico do Dr. Kaburagi, Dr. Itagaki, Dr. Kume, Dr. Saito e outros. O padrão deveria ser a futura diretriz comum a todas os seis raças dos cães japoneses. Ele se encontra no site da Nippo.

A natureza dos cães japoneses pode ser sintetizada em três palavras muito importantes kan-i, ryosei e soboku. Elas expressam qualidades naturais, básicas e inatas a todas as raças japonesas e apresentam as características essenciais aos cães japoneses. Na seção de Temperamento as analisamos com maior profundidade.

A intenção original da Nippo era preservar aqueles cães de caça nativos que viveram com os japoneses por séculos. Os primeiros membros da Nippo foram a áreas remotas do Japão para encontrar cães com as características mais próximas do padrão quanto possível e iniciaram programas de criação planejada.

Ironicamente, assim que esses cães foram trazidos para as cidades, processo de "domesticação" iniciado e viés cultural da vida na cidade sobrecarregou o programa de reprodução. Como os Shibas se tornaram populares, criadores ignorantes começaram a desconsiderar o padrão e criar de acordo com suas próprias preferências.

Alguns criadores desinformados não entenderam a intenção dos pioneiros da Nippo e começaram a misturar Shibas com cães como Mikawaken (uma raça mista parecida com spitz) e cães japoneses de tamanho médio, alegando que estavam melhorando a raça.

Os Shibas originais foram mantidos pelos caçadores, não por seu visual, mas para sua capacidade de caçar. O padrão levou as características desses cães de caça em consideração.

"O Shiba faz parte da cultura japonesa desde séculos. Os japoneses criaram e amam a raça. Sua devoção ao cão nativo japonês e a suas características são visíveis para todos. Esses cães são muito valorizados e guardados. Devemos ao povo japonês manter e perpetuar sua visão do que um Shiba deveria ser. É muito fácil imaginar o caminho do que é correto e do que constituir perfeição. Temos bom fundamentos para trabalhar e avançar, aderindo a o que está estabelecido no Padrão para a Raça.

Os japoneses têm um ditado sobre relacionamentos especiais. Eles dizem 'nossos corações tocados’'. Quando você tiver um Shiba, seu coração será tocado para sempre. "

Essência e sua expressão

A primeira seção do Padrão Japonês é intitulada Essência e sua expressão e vale 15% do escore total no julgamento do Shiba. Isso é uma percentagem mais alta do que a dada a qualquer outra sessão numerada do Padrão. O que é entendido por “essência” é temperamento, a personalidade total e natureza do cão. Como esse cão mostra essa natureza para o mundo é sua expressão.

A segunda sentença da seção 1 do Padrão do Cão Japonês determina “Ele (o cão) é alerta e capaz de se mover rapidamente com passos ágeis, elásticos.” O cão precisa estar atento ao que acontece ao seu redor todo o tempo e assim deve ter sentidos afiados. Sentidos afiados são necessários para o cão japonês por que sua mera sobrevivência depende deles. Para o cão de caça, que precisa lutar com ursos, javalis selvagens ou veados, sem cuidado com sua própria vida, esses sentidos são a sua arma e sua única defesa. Para o cão de guarda, sensos afiados são um pré-requisito para exercer sua própria função.

Um cão pode ser excessivamente alerta, a ponto de possuir um temperamento nervoso – ficando excitado com besteiras e demonstrando covardia. Os comentários japoneses dizem que este é um defeito mais sério para um cão japonês. O oposto de alerta extremo é embotamento, estupidez, vagarosidade e letargia. O ideal para o cão japonês é uma média entre esses dois extremos. O cão apropriadamente alerta é calmo, firme, tem respostas confiáveis e é capaz de ações imediatas, decisivas – sejam de ataque, defesa ou aviso.

De forma a colocar seus sentidos afiados em prática, o cão japonês precisa ser “capaz de se mover rapidamente com passos ágeis, elásticos.” Sua agilidade é expressa em dizer que na floresta ele deve ser tão imóvel quanto as árvores, então em um instante ser capaz de se mover como um flash para apanhar sua presa. Todos esses movimentos – caminhando, trotando e correndo – devem ser suaves, embora as raças pequenas e médias tenham mais de molas em seus passos do que o grande Akita. Esse andar ágil depende da estrutura física, mas boa estrutura apenas não é suficiente. O corpo deve ser treinado e condicionado para atingir a necessária flexibilidade e força. Criadores japoneses geralmente condicionam seus cães de exposição os fazendo correr, sendo a distância mais comum de 20 km na maioria dos dias. Apresentar um Shiba no Japão mau condicionado é mera perda de tempo.

Condições mentais apropriadas, sensos agudos e agilidade combinam para realizar o seu trabalho, seja qual for esse trabalho. Todas essas coisas concretizam seu temperamento (isto é a “essência’) que é a mais importante característica isolada no julgamento do Shiba.

CBKC

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